segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Patrícia Acioli foi perseguida por 40 minutos antes de morrer
Imagens de acusados de matar Patrícia Acioli são divulgadas
Rio - As imagens dos três policiais militares acusados de participar do assassinato da juíza Patrícia Acioli foram mostradas, pela primeira vez, na noite deste domingo. O tenente Daniel Benitez e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda estão presos na Delegacia de Homicídios e as fotos foram divulgadas, pela primeira vez, em uma reportagem exibida pelo Fantástico.
Policiais tramaram morte de Patrícia Acioli com um mês de antecedência | Foto: Reprodução de Vídeo
Os policiais foram presos no último dia 12 e encaminhados diretamente para a DH para cumprir mandado de prisão. Em depoimento, os três acusados negaram participação na morte de Patrícia. No entanto, o delegado titular da Divisão de Homicícios (DH), Felipe Ettore, afirmou que não existem dúvidas de que o tenente e os cabos são os responsáveis pelo assassinato da juíza.
"Está provado que eles são os autores do assassinato da juíza", afirmou Ettore, referindo-se ao fato dos três policiais terem desligado os celulares pouco antes das 22h, na noite da morte de Patrícia, e só terem ligado os aparelhos uma hora depois do assassinato.
Armas do 7º BPM são apreendidas
Um total de 695 pistolas e revólveres do 7º BPM (São Gonçalo) foi apreendido nesta segunda-feira por policiais da Delegacia de Homicídios (DH). As armas vão passar por perícia para verificar se foram utilizadas na morte de Patrícia Acioli. Os policiais também cumpriram outros 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos três PMs acusados de participação no crime.
Arte: O Dia
Armas substituídas
No Tribunal de Justiça do Rio, o delegado da Homicídios, Felipe Ettore, disse que a morte de Patrícia foi a forma que os PMs tiveram de tentar evitar a prisão pela morte de um rapaz de 18 anos em 3 de junho, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
“Eles não sabiam que os mandados haviam sido expedidos pouco antes da execução”, revelou. Outros cinco policiais do Grupo de Ações Táticas do 7º BPM são investigados por forjarem o auto de resistência. Todos estão presos na Unidade Prisional — antigo BEP.
As buscas da Delegacia de Homicídios foram em Jacarepaguá e Senador Camará, na Zona Oeste do Rio; em Maricá, na Região dos Lagos; e em São Gonçalo, Região Metropolitana. Os agentes vistoriaram a casa dos três policiais militares acusados de matar a juíza e também fizeram incursões nas casas de seus familiares. Até mesmo os armários que os PMs utilizavam nos batalhões foram revistados.
Sem celulares e ajuda de outro BPM
De acordo com Antônio Siqueira, da Associação de Magistrados do Rio, há a suspeita de que os acusados tenham tido o auxílio de policiais do batalhão vizinho. “As imagens mostram viatura do 12º BPM (Niterói), que não tinha GPS, no dia 11 de julho, quando reconheceram a área. No dia da morte, os celulares deles foram rastreados na área do Fórum de São Gonçalo e em Piratininga, mas foram desligados antes do crime, atitude que contraria a rotina dos PMs”.
Para comprovar que o planejamento do crime, a polícia analisou três milhões de celulares que fizeram o trajeto entre o fórum e a casa da juíza durante um mês antes do crime. Graças a essa investigação, a polícia descobriu que os três estiveram juntos, na rua onde Patrícia Acioli morava, um mês antes do crime.
O presidente do TJ, desembargador Manoel Alberto Rebêlo, tentou justificar novamente a ausência da escolta da juíza, alegando que a proteção não poderia impedir sua morte. “Esses elementos decidiram naquele momento que iriam matá-la. A escolta previne, mas não evita por completo. O crime não tem relação com outras ameaças”, afirmou.
Munição era da Polícia Militar
Investigação da polícia mostrou que cartuchos apreendidos no local da execução da juíza faziam parte de lote de 10 mil munições calibre 40 enviadas, entre outros, para o 7º BPM (São Gonçalo), como publicou com exclusividade O DIA, em 22 de agosto.
No dia 28, foi revelado que imagens de câmeras registraram encontro de policiais do 7º BPM com dois homens pouco antes do assassinato, perto do fórum. Um deles foi reconhecido como réu em processo a cargo dela. Documentos publicados por O DIA mostram que Patrícia alertou ao TJ várias vezes sobre ameaças, mas ficou sem escolta.
Anuncios Google
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário